Olivete

Olivete – Descrição / texto

Um edifício de habitação colectiva do século XVIII não é fácil de adaptar às necessidades e expectativas da vida moderna. Talvez por isso, as adaptações são quase sempre intrusivas e indiferentes à construção e ao carácter do edifício original. Quando os nossos clientes nos pediram para mudar as suas casas de banho sem tocar no resto do apartamento, percebemos que tínhamos de tratar a relação entre velho - paredes espessas e honestas - e novo - paredes ocas e preenchidas de infra-estruturas - com cuidado.

Em vez de incorporar os espaços novos nos velhos - disfarçando as transições através de um desenho hábil por exemplo - pensámos que seria melhor destacar as casas de banho do apartamento, como se subtraíssemos o seu volume ao conjunto de espaços que percebemos como casa. Visto da entrada do apartamento, o vestíbulo de acesso às casas de banho parece uma instalação de luz, emoldurada e pendurada ao fundo do corredor, sem qualquer utilidade além de criar um momento inusitado: a presença gratificante de luz e cor num corredor outrora sombrio. O vestíbulo, concebido como um espaço além do espaço arquitectural, liberta as novas casas de banho de qualquer relação com o apartamento, em que não tocamos.

Os interiores das casas de banho seguem a composição perceptiva de espaços com um propósito e uma atmosfera muito menos prosaicos. Fizemo-lo porque queríamos que - apesar das torneiras e das louças - este espaços tivessem a mesma dignidade enigmática do vestíbulo.

Apesar de ser o nosso projecto mais pequeno até ao momento - apenas 13 m2 - permitiu-nos aprofundar temas que temos explorado em projectos maiores e mais complicados, como a combinação sensível da luz natural e artificial e a ideia de transgressão tipológica.


Processo

Construção

Antes

Além


Ficha técnica

Data
2014 - Presente
Área Construída
13 m²
Área do Terreno
171 m²

Arquitectura
Vasco Correia e Patrícia Sousa
Colaborou
Sebastien Alfaiate

Fotografia
Nelson Garrido