RE

RE – Descrição / texto

Esta é a nossa primeira intervenção sobre um edifício Português Suave - o estilo arquitectónico distintivo do Estado Novo. Neste caso, uma casa construída nos anos 40 e que devia ser actualizada para acomodar uma família do nosso tempo. A casa estava praticamente intacta e, se é certo que a sua linguagem revela uma ideologia política e um conjunto de aspirações que são hoje consensualmente condenados, não é menos verdade que está muito bem construída, fruto de um desenho eficaz e de um emprego hábil dos recursos disponíveis.

Uma distância temporal e emocional ao contexto em que a casa surgiu permitiu-nos olhar para ela sem um sentido de retaliação ou glorificação, mas antes como matéria pronta a usar, na medida individual do desejo e da necessidade. A composição espacial da casa e a sua linguagem - uma etnografia fabricada - são aceites como tal. As novas paredes, janelas, portas e armários, são reconhecivelmente novas mas não estabelecem uma relação dialéctica com os elementos originais: antes uma coexistência pacífica e silenciosa.

No piso térreo, uma sucessão de pequenos espaços mono-funcionais em torno do átrio de entrada - escritório, sala de estar, sala de jantar e cozinha - são unidos num único espaço pluri-funcional atravessado por luz natural e vistas do jardim. Nos pisos superiores, os espaços íntimos sofrem pequenas alterações para alcançarem a mesma dignidade espacial e material dos espaços sociais em baixo. Dentre estes espaços a mudança mais substancial ocorreu no sótão, onde o quarto das criadas passou a quarto principal, disposto em torno de um grande lanternim que alberga espaços de banho. Já tínhamos explorado a ideia de um espaço como dispositivo sensível para captar a luz e a passagem do tempo no DG I, se bem que aqui a luz surge mais autónoma e absoluta.


Desenhos


Processo

Construção

Antes


Ficha técnica

Data
2015 - 2016
Área Construída
400 m²
Área do Terreno
432 m²

Arquitectura
Vasco Correia e Patrícia Sousa
Colaboraram
Sebastien Alfaiate e Joana Ramos

Fotografia
Nelson Garrido